PC: Gothic


Informações do Jogo

  • NOME COMPLETO: Gothic
  • PLATAFORMA: PC
  • DESENVOLVEDORA: Piranha Bytes
  • ANO DE LANÇAMENTO: 2001
  • GÊNERO: RPG de ação

Site oficial: http://www.gothic.de/gothic1/index.php?lang=eng
Onde comprar: Gothic está disponível na GOG, custando atualmente U$ 9,99. Também está disponível no Steam o Gothic Universe, que inclui Gothic I, II e III.

Lançado em 2001 na Alemanha por uma empresa iniciante, Gothic surpreendeu pela originalidade e trouxe ao mundo a Piranha Bytes, que se tornaria uma das maiores desenvolvedoras de RPGs da última década. Um dos RPGs mais “hardcores” já lançados, não é todo mundo que tem paciência de jogar, em razão da dificuldade elevada.

Enredo

A história se passa no reino de Myrtana, onde uma guerra entre humanos e orcs ocorre. Para fabricar armas para a guerra, a lei é que qualquer crime, por mais insignificante que seja, deve levar o condenado para “A Colônia”, uma ilha prisional onde os prisioneiros trabalham nas minas de Khorinis para extrair os minérios necessários para fabricar as armas. A Colônia foi criada por ordem do rei Robar, O Segundo, que elegeu magos para criar uma barreira impenetrável em torno da ilha, onde só é possível entrar. Porém a barreira cresceu mais que deveria, e aprisionou os magos na ilha também.
A partir daí, começou a se formar uma população na ilha, que formou inicialmente um vilarejo, conhecido como o Velho Assentamento, formado por quem se confortou com a situação e resolveu viver uma vida dentro da ilha. Discidentes formaram o Novo Assentamento, e vivem dentro de uma caverna e nos arredores dela, e planejam explodir a barreira para se libertarem. Outro grupo discidente vive nos pântanos da Colônia, adorando uma entidade chamada de O Adormecido (The Sleeper), que é considerado por estes o salvador que acordará e os libertará da prisão.
Nesse universo entra o jogador, um desconhecido condenado por um crime desconhecido, que é pedido para entregar uma carta ao líder dos Magos do Fogo, um clã fundado por um dos magos que criaram a barreira.

Jogabilidade

O jogo se passa em um “mundo aberto”, onde o jogador é jogado na Colônia e tem de se virar para sobreviver. Para subir de status, deve se alinhar a um dos locais, para o qual deve cumprir diversas missões para ganhar confiança dos líderes locais.
Dinheiro é algo escasso, não é o jogo do estilo “enfrentrar inimigos, pegar experiência e dinheiro”. Caçar monstros e animais não dá dinheiro diretamente. Mas indiretamente, ao treinar com mestres, poderá aprender a retirar partes lucrativas, como pele de lobo. Recuperar energia também não é tarefa trivial, como dinheiro é escasso, não é fácil adquirir ervas reenergizantes com comerciantes. Mas é possível comer carne de animais e monstros, onde cruas tem pouco efeito regenerativo, porém se cozidas (ao qual o jogador terá de adquirir uma panela primeiro) e achar um local com fogo, tem efeitos melhores.
Agora, o personagem é um herói que sai destroçando monstros ao apertar um botão do teclado? A resposta é o oposto, possivelmente até vencer o primeiro combate com o mais comum dos monstros, o jogador terá de recarregar o jogo algumas vezes (salvar frequentemente é altamente recomendável). E as vezes inimigos diferentes exigem técnicas diferentes para enfrentá-los, sendo que enfrentar mais que 1 inimigo de uma vez, é morte certa na maioria dos casos. Isso mostra uma pouco da complexidade do jogo, e de sobreviver nele. Esse é um dos motivos ao me referir ao Gothic como um dos RPGs mais hardcores já lançados.
Todas ações não são executadas simplesmente com um click do mouse ou apertar uma tecla, para pegar um item, por exemplo, tem de segurar o botão esquerdo do mouse e apertrar a tecla de andar para frente. Para comprar itens, tem de trocar o ouro do inventário para o comerciante e pegar o item desejado do inventário do comerciante para o do jogador. No combate também, tegurar o botão esquerdo do mouse e cada tecla de direção fazem uma ação diferente, para trás é se defender e as outras teclas são formas de ataque diferentes.
O jogador poderá se aliar a vários clãs, como os Magos do Fogo, à guarda do Velho Assentamento, aos Magos da Água, que vivem no Novo Assentamento, entre outros. Poderá também, dependendo das escolhas, focar em batalhas corpo-a-corpo, ou se tornar um mago, ou necromante. Uma boa fonte de experiência são as tarefas completadas, onde a cada nível, o jogador poderá aplicar pontos em status ou em treinamentos com mestres, para melhorar habilidades de luta, por exemplo, ou aprender novas magias.
Ao contrário da maioria dos RPGs da época, oferecia liberdade de sair pelo mundo e andar, nadar (inclusive tem locais submersos que só nadando para descobrir), pular, subir montanhas. O jogo conta com um ciclo de dia e noite, onde os NPCs trabalham, comem dormem, “vivem” dentro do mundo do jogo.

Gráficos e Áudio

Considerando 2001, o jogo tem bons gráficos, bons efeitos visuais, como o céu de noite com a barreira iluminando o horizonte. Não é graficamente o jogo mais bonito desta geração, mas tem bons gráficos para a época. Tem diversos locais que gostei bastante do design, como o Assentamento do Pântano, e o templo dedicado ao Sleeper.
No áudio, não chega a grandiosidade da composição clássica de Gothic 3, mas tem boas músicas marcantes, e uma boa dublagem na versão em inglês, onde apesar de considerada inferior em relação a dublagem original alemã, está em um bom nível, certamente bem acima do mediano.
Um destaque na parte do áudio é um show virtual da banda alemã de folk metal In Extremo, que toca Herr Mannelig em certo momento do jogo. Infelizmente na versão em inglês foi cortado, mas com o patch da comunidade, disponível aqui, foi restaurado.

Minha Opinião

Um dos melhores jogos já feitos, um RPG com um enredo fora do trivial estilo medieval, um misto entre Tomb Raider (pular, nadar) e RPGs, onde foi um dos pioneiros no gênero. Se não fossem alguns bugs, daria nota máxima para esse jogo, porém o bug de uma escada que é difícil de subir, e de um aliado que pode vir a atacar o jogador, em certa ocasião, são bugs que não deveriam estar presentes, após todos patches que o jogo recebeu.
Para quem conhece a série Ultima, Gothic tem uma forte inspiração, inclusive Richard Garriot, criador de Ultima, é citado nos créditos de Gothic, pela inspiração na série Ultima. Se Ultima IX, em sua tentativa de ir para o mundo 3D não foi bem recebido pela crítica, Gothic veio para os fãs da série.
Além disso, uma coisa que sempre gosto de citar, é que o jogo foi feito por uma desenvolvedora pequena e nova no ramo, que criou a engine do zero durante aproximadamente 4 anos (a Piranha Bytes foi fundada em 1997). Não é o caso único. A CD Projekt surgiu do nada e lançou também duas obras-primas (The Witcher 1 e 2). E ambas fora dos principais polos produtores de games, que são Japão e Estados Unidos.

Gothic e sistemas modernos

O jogo roda perfeitamente no Windows 7. Único defeito a ser corrigido é que deve ser alterada a linha “scaleVideos=1” para “scaleVideos=0” no arquivo GOTHIC.INI, presente no diretório system do jogo. Sem essa alteração, os vídeos só rodariam com o áudio, sem imagem.

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